A “Nega” de cada um… Ou a maluquice da “Nega”?

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É tempo de descobrir.

Tempo de descobrir novas experiências, tempo de descobrir sentimentos que achavamos tão esclarecidos, tempo de descobrir o que é a real saudade….

E nesse tempo de descoberta, tenho percebido situações boas demais, em momentos onde sempre esperei tão de menos.

Tenho descoberto amigos, tenho tido chance de perceber coisas tão pequenas que as vezes até me esquecia… Aliás, coisas pequenas que a grande maioria de nós, acabam esquecendo, ou ao menos prestando menos atenção. Deve ser coisa da saudade. Analisar tudo tão pelo ângulo do amor, tão pelo ângulo do relacionamento. Deve ser mesmo….. Mas que bom que posso ver assim, e valorizar tanto, cada um dos meus pequenos momentos: aqueles que estão longe, que hoje me fazem falta…..Mas também aqueles que estão perto….e que hoje me acolhem.

Uma das minhas descobertas, é observar que nos relacionamentos, muitas das coisas que tornam os casais mais depentendes um dos outros, são as dinâmica, são as rotinas, são as “picuinhas” do dia a dia. Já percebeu que ningué nunca senta numa mesa e conta seus grandes momentos de amor e de juras e de promessas?? Nao…nao não. O que é assunto, o que é gostoso de compartilhar, são mesmo as implicâncias… Pronto! É Ibope na certa. Ibope porque todo casal acaba se identificando com algum momento da história. Ibope porque o próprio casal, cria uma encenação. Uma cena teatral…quase que como ensaiada, onde eles parecem viver novamente aquele conflito e olhar positivamente para a cena, de maneira apaixontante….  E não é ai mesmo que se encontra o amor?

Um amigo meu me contou uma vez uma história sobre um simples bicho de pelúcia. Aliás, não tão simples assim já que se tratava de uma ovelha de pelúcia…. Um presente: a ovelha negra da família.  Sim, da família pois era exatamente deste círculo que ela faria parte. A “Nega”, como costumava ser chamada a cada dia ganhava seu espaço. De apenas um enfeite na cama, passou a merecer um afago até conquistar a supremacia de uma abraço durante a noite. E assim, “Nega”se tornava a cada dia especial. E o que ela tinha de especial? Bom,…. ela era uma ovelha, esquisita, improvável, que descosturava a boca, que tinha uma bolsa para pijamas, qu parecia sempre estar precisando de uma lavadinha. Mas na hora de precisar sentir-se amparado, era Nega que estava ali. E todos suas coisinhas estranhas, tornavam-se de repente tão aconchegantes. 

E a “Nega” virou personagem fundamental. Todo carinho com a Nega, todas as instruções para a empregada cuidar bem da Nega, lava a Nega, costura a Nega, aperta a Nega….. Maluquice ou não, meu amigo hoje tem uma nova Nega. Igualzinha a outra que acabou ficando velinha e irrecuperável, afinal de contas, relação desgasta. É claro que a Nega tomou umas porradinhas, teve que ouvir muitos desabafos e por ai vai… E ele ganhou uma Nega novinha, começa tudo de novo e adivinha se o fato dela ser uma ovelha esquisita e surradinha não é seu grande atrativo? Não é exatamente o que a mantém todo dia no seu lugar privilegiado na cama.

Acho mesmo que todos nós temos a nossa Nega e as nossas maluquices, manias, características e cada um encontra mesmo uma paixão numa Nega Maluca por aí. E a implicância, o mau humor pela manhã, a bagunça, o jeito de comer, como dessaruma a pia….São essas maluquices que fazem as negas serem tão especiais. É o que mantem o dia-a-dia divertido. são as descobertas, as concessões e a paciência.

Longe da minha “Nega” posso dizer que a parte maluca é a que mais me faz falta. As bobeirinhas de todo dia… Porque é aprendendo a lidar com elas que entedemos as preciosidades de uma relação. E como é preciosa a cumplicidade desses momentos.

Que delícia perceber isso e encontrar tantos amigos com suas Negas, com suas histórias, com suas “picuinhas”. Enxergar felicidade em tanta cumplicidade. São sim nesses momentinhos de ver que o mundo é bacana assim que sigo em frente. Quando meu coração se preenche de ver casais cumplices. Sigo com a saudade maluca, sabendo que também sou a “Nega” do meu amor mas rodeada de boas histórias pra sussurrar no seu ouvido quando estivermos novamente no lugar da nossa maluquice.

Aos meus amigos da “Nega”, só agradeço. Ótima noite e  ótimas histórias que a gente só consquista mesmo com toda essa história doida de cumplicidade. Tenham certeza que do meu percurso de mais ou menos 150 dias “de solidão”, vocês fizeram uma noite cheia de aconchego da Nega!

~ por siaround em Fevereiro 27, 2008.

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